Os processos fotográficos baseiam-se em dois princípios fundamentais da química e da física: a reacção de certos compostos químicos à luz e a criação de uma imagem quando a luz passa através de uma abertura numa câmara escura. Assim, a imagem fotográfica, resulta da acção da luz sobre um suporte, no qual foram aplicadas substâncias fotossensíveis.
Os processos fotográficos antigos são muito numerosos. Os suportes sobre os quais foram executados são também muito diversos, podendo ser de origem orgânica (papel, tecido, marfim), inorgânica (vidro, metal, cerâmica), semi-sintética (nitrato de celulose, acetato de celulose) ou sintética (poliéster).
A substância fotossensível mais utilizada ao longo da história da fotografia foi a prata elementar. Foram ainda usados outros materiais para formar a imagem; entre eles destacam-se pigmentos como o negro de fumo, também designado por negro de carbono ou negro de candeia, (carbono puro muito estável quimicamente), e outros metais ou sais metálicos, tais como platina (platinótipia) ou sais de ferro (cianótipia).
A permanência das imagens fotográficas é ameaçada pela presença de químicos que causam a oxidação da prata (a oxidação consiste numa reacção química de combinação de um elemento com oxigénio, convertendo-o num óxido). A prata elementar apresenta ainda grande afinidade com materiais que contenham enxofre, formando-se através da ligação de ambos um composto muito estável conhecido como sulfureto de prata. Em resultado deste processo de degradação, conhecido como sulfuração da prata, uma espécie fotográfica pode alterar-se significativamente, amarelecendo primeiro e escurecendo gradualmente até se tornar negra. Ambas as reacções químicas resultam em alterações significativas do aspecto das imagens fotográficas, tais como amarelecimento, escurecimento, desvanecimento, perda de detalhe, formação de espelho de prata, formação de pontos vermelhos, etc.
A grande maioria dos processos fotográficos são particularmente sensíveis à luz. Os efeitos da luz são cumulativos e devem sempre ser tidos em consideração aquando do acondicionamento e especialmente da exposição de imagens originais. É ainda vital excluir qualquer fonte emissora de radiação ultravioleta, a mais destrutiva do espectro.
Factores como a Humidade Relativa (particularmente as oscilações) e temperatura devem sempre ser tidos em consideração aquando da conservação de espécies fotográficas, pois não só funcionam como desencadeadores e aceleradores de reacções químicas, como podem afectar os meios ligantes e os suportes do ponto de vista físico, ou contribuir para a sua degradação biológica.
É fundamental que o Conservador-Restaurador de espécies fotográficas conheça detalhadamente e saiba identificar cada um dos processos fotográficos pois só assim poderá levar a cabo os tratamentos mais adequados. A conservação e restauro de espécies fotográficas é ainda uma disciplina relativamente recente da conservação e restauro e a maioria dos tratamentos técnicos e normativas éticas baseia-se nos processos já estabelecidos para as disciplinas de conservação e restauro de documentos gráficos ou de arte em papel, exigindo porém uma grande especialização.


1. NEGATIVOS EM SUPORTE DE VIDRO:

Os diferentes negativos executados sobre suporte de vidro apresentam patologias distintas que vão desde a degradação química do suporte (perda de transparência, superfície áspera, lexiviação, etc.), até a sua degradação física (fissuração, fragmentação, etc.). A emulsão, normalmente um material orgânico ou semi-sintético tem ainda tendência a destacar se as flutuações de Humidade Relativa forem grandes, pois o vidro, um material inorgânico, é incapaz de acompanhar os seus movimentos. É também comum a emulsão sofrer de patologias relacionadas com a presença de microrganismos, fungos e bolores. São executados em suporte de vidro os seguintes negativos:
1.1. Negativos de Albumina.
1.2. Negativos de Colódio Húmido.
1.3. Negativos de Colódio Seco.
1.4. Negativos de Gelatina e Sal de Prata.
2. NEGATIVOS EM SUPORTE DE PELÍCULA (PLÁSTICO):

Os negativos em suporte de plástico surgem após a invenção do nitrato de celulose, um material semi-sintético descoberto em 1833. O nitrato de celulose é um éster de celulose que resulta do tratamento da celulose com ácido sulfúrico e nítrico. Os negativos em suporte de nitrato de celulose são inatamente instáveis do ponto de vista químico, sendo extremamente inflamáveis. Decompõem-se mesmo sem a presença de luz, libertando dióxido de nitrogénio, um gás que quando combinado com humidade se transforma em ácido nítrico, extremamente corrosivo, e que por sua vez provoca mais deterioração. Apresentam níveis de acidez extremamente elevados, encurvamento, amarelecimento/escurecimento e emulsões pegajosas ou liquefeitas. O acetato de celulose é, também, um éster de celulose que resulta do tratamento desta com ácido acético. Apesar de mais estável do que o nitrato de celulose, sabe-se que não é tão estável como em tempos se acreditou. Os vários tipos de acetato de celulose degradam-se através da libertação de ácido acético dando origem a um fenómeno designado como Síndrome do Vinagre. O aumento da acidez leva à formação de de canais, bolhas e depósitos de cristais na superfície dos negativos. Podem ainda surgir manchas de cor rosa ou de cor azulada. O poliéster ou tetraftalato de polietileno é o mais recente e o mais estável de todos os suportes plásticos utilizados na produção de negativos. São executados em suporte de película ou de plástico os seguintes tipos de negativos:
2.1. Negativos de Gelatina e Sal de Prata em suporte de Nitrato de Celulose.
2.2. Negativos de Gelatina e Sal de Prata em suporte de Acetato de Celulose.
2.3. Negativos de Gelatina e Sal de Prata em suporte de Poliéster.



1. POSITIVOS DIRECTOS:
Em geral todos estes processos são obtidos sob um suporte de natureza inorgânica, o vidro ou o metal, e aparecem muitas vezes dentro de um estojo, de couro ou plástico. É necessário que o Conservador-Restaurador verifique o estado do selo e que trate também o estojo, evitando os erros do passado que levaram muitas vezes à separação dos dois elementos. O daguerreótipo tem de estar adequadamente selado por detrás de um vidro, pois de outra forma fica sujeito ao ataque por gases poluentes de elevada acidez (ácido sulfídrico e dióxido de enxofre) que conduzem à sulfuração da prata e consequente formação de círculos castanhos e à abrasão que resulta no total desaparecimento da imagem, já que esta não pode nunca ser tocada, mesmo que ao de leve. Nos ferrótipos é comum a deterioração física sob a forma de amolgadelas e encurvamento que fazem com que a camada de esmalte estale e se forme ferrugem que resulta na perda da imagem. Os ambrótipos, executados sobre suporte de vidro, tendem a sofrer de numerosas formas de degradação física, como rachadelas e fragmentação. Por outro lado, o colódio da emulsão pode destacar-se do suporte sob a forma de escamas ou tornar-se quebradiço em resultado da perda de plasticizante que ocorre durante o envelhecimento: São positivos directos os seguintes processos:
1.1. Daguerreótipos (Positivos Directos em Suporte de Cobre Galvanizado a Prata).
1.2. Ferrótipos (Positivos Directos em Suporte de Ferro).
1.3. Ambrótipos (Positivos Directos em Suporte de Vidro).


2. PROVAS OU POSITIVOS EM PAPEL OBTIDOS A PARTIR DE UM NEGATIVO COM IMAGENS FORMADAS POR SAIS DE PRATA:
Estes processos comungam geralmente de um suporte comum de natureza orgânica, o papel. O papel utilizado em impressão fotográfica apresenta, geralmente, uma composição bastante estável do ponto de vista químico. Porém, em resultado de manuseamento intensivo, mau acondicionamento e má montagem as imagens fotográficas tendem a sofrer danos físicos que muitas vezes afectam a emulsão conduzindo à perda da imagem. Existem formas de degradação especificas a cada processo, resultantes da natureza e comportamento das diferentes emulsões e do número de camadas constituintes de cada processo, que também é variável. É também muito frequente a existência de suportes secundários instáveis do ponto de vista químico e que afectam a imagem (cartões extremamente ácidos). É ainda comum encontrara-mos provas fotográficas não montadas que se encontram enroladas em resultado da tensão criada pela emulsão sobre a folha de papel. É, também, frequente surgirem patologias relacionadas com cada um dos tipos específicos de emulsão. A gelatina é, por exemplo, muito higroscópica e tende a destacar-se do suporte em resultado de flutuações bruscas nos valores de Humidade Relativa. A albumina tem tendência à micro fissuração, ao amarelecimento e ao desvanecimento intenso. Os fenómenos químicos de oxidação e sulfuração da prata, que conduzem ao amarelecimento e ao desvanecimento assim como surgimento do chamado espelho de prata são comuns a todos os processos que utilizam sais de prata. São exemplos de provas ou positivos obtidos a partir de um negativo nas quais a imagem é formada por sais de prata os seguintes processos:
2.1. Talbótipos/Calótipos/Papéis Salgados.
2.2. Albuminas.
2.3. Gelatinas-Sal de Prata.



3. PROVAS OU POSITIVOS EM PAPEL OBTIDOS A PARTIR DE UM NEGATIVO COM IMAGENS FORMADAS POR OUTROS SAIS METÁLICOS OU PIGMENTOS:
Os processos de impressão em que a imagem é formada por outros sais metálicos, como as platinótipias, as paladiótipias e as cianótipias são mais estáveis do ponto de vista químico do que aquelas em que a imagem é formada por sais de prata. Porém, no caso das platinótipias é frequente alguma degradação do suporte por amarelecimento, já que o papel usado para a impressão era debilmente ácido e no final do processamento tratava-se a imagem com banhos ácidos. Os processos obtidos a partir de pigmentos são mais estáveis do que os obtidos a partir de sais de prata, particularmente as provas a carvão. Este pigmento é inerte do ponto de vista químico, pelo que não desvanece nem participa em reacções de degradação. São exemplos de provas ou positivos obtidos a partir de um negativo utilizando outros sais metálicos e pigmentos os seguintes:
3.1. Platinótipias
3.2. Cianótipos
3.3. Cromotipias ou Carvões
3.4. Carbros
3.5. Óleos e Bromóleos
3.6. Gomas Bicromatadas




A colotipia ou fototipia, a fotogravura e a rotogravura ou rede de pontos são constituídas por tintas litográficas depositadas sobre a superfície do papel. As formas de deterioração a que estão sujeitas são mais parecidas com aquelas apontadas para a gravura do que com as respeitantes aos processos fotográficos propriamente ditos. Os pigmentos utilizados no fabrico de tintas litográficas são, de um modo geral muito permanentes e estáveis, não apresentando grande tendência para desvanecer, porém, ao contrário do que acontece com as provas fotográficas propriamente ditas, é comum estas imagens terem sido impressas em papéis de má qualidade, obtidos a partir de pastas de papel com grande teor de lenhina e com encolagens de alúmen-resina, que em resultado da sua elevada acidez tendem a apresentar amarelecimento acentuado e tornam-se, com o passar do tempo, muito quebradiços.
Colotipia ou Fototipia
Fotogravura
Rotogravura (Rede De Pontos)



As provas de autor não correspondem a um processo fotográfico especifico, podendo existir numa grande variedade de processos. Estas imagens, sendo obras de arte, exigem outros cuidados de conservação e restauro, que geralmente não são dispensados a material cuja dimensão é meramente documental. São geralmente imagens únicas ou de muito pequena tiragem impressas pelo próprio fotógrafo e destinadas a serem expostas. É necessário que o Conservador-Restaurador esteja preparado para respeitar integralmente a sua dimensão estética.

A empresa oferece ainda aos seus clientes os seguintes serviços de digitalização:
Digitalização e tratamento da imagem usando o programa Adobe Photoshop em formato igual a 300 dpi’s (dots per inches) e a 100% (tamanho real).
Criação de pelo menos um ficheiro TIFF (ou matriz digital) gravando as imagens com compressão LZW (compressão Lossless, ou sem perdas de informação).
Criação de duas cópias de backup em CD ou outro meio de armazenagem
Inserção de meta dados.
Controle de qualidade de imagem periódico.
Produção de pelo menos um ficheiro derivado em JPEG (formato comprimido) e um selo para a Internet.
Registo em base de dados da informação relativa a cada espécie fotográfica anexando a imagem digital à ficha de imagem. A base de dados pode ser realizada em programas de uso doméstico tal como Microsoft Access ou Filemaker ou em programas integrados com linguagem SQL (Structured Query Language), dependendo do orçamento disponível e das necessidades do cliente.
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