6
  
5
 
 
 
 

 
 

 

 

As colecções de etnografia são constituídas por uma grande variedade de objectos, resultantes da cultura material e espiritual e de diferentes manifestações de carácter local ou regional, do ambiente, das actividades domésticas, artísticas e industriais de um grupo particular de indivíduos. A grande heterogeneidade dos materiais etnográficos exige um estudo muito aprofundado de cada objecto por forma a não apagar, no decurso dos tratamentos de conservação e restauro, a informação que estes contêm, seja ela de uso quotidiano, tecnológica, artístico ou ritual.

As colecções de material etnográfico incluem com frequência objectos com uma dimensão sagrada que deve ser sempre respeitada. Alguns procedimentos de conservação e restauro podem ser interpretados pelos representantes de uma cultura como profanação (o manuseamento do objecto por um determinado sexo, a utilização de certos materiais “tabu” para executar reparos, etc.) Caso existam descendentes vivos das tribos em causa poderá ser aconselhável consulta-los.

As colecções de material etnográfico são constituídas por uma percentagem muito elevada de matérias orgânicos e muitas vezes cada objecto é constituído por materiais de natureza muito diversa, tratando-se de objectos complexos, instáveis e até efémeros. Estes objectos foram produzidos para serem usados quotidianamente pelo que são naturalmente perecíveis.

Actualmente, a conservação de materiais etnográficos caminha cada vez mais no sentido da conservação preventiva, já que estes são fonte de informação, investigação e estudo para a Antropologia.

 

 

De entre todos os materiais semelhantes (marfim, haste, chifre) o osso é um dos mais sensíveis à humidade ( sendo o marfim ainda mais sensível). O osso apresenta muitas vezes fendas e empenamentos em resultado de flutuações cíclicas nos valores de Humidade Relativa. Também as temperaturas elevadas e exposição prolongada à luz podem degradar o osso. È necessário que o conservador restaurador saiba reconhecer e tratar adequadamente ossos muito porosos, como os de baleia (usados frequentemente pelos pescadores para esculpir artefactos) , pois a sua fragilidade torna-os muito sensíveis do ponto de vista físico.

 

 

O marfim pode ser de elefante, morsa, etc. Ao contrario do osso não possui medula ou qualquer tipo de sistema vascular. É geralmente mais denso, duro e branco do que o osso. De entre todos os materiais deste tipo (chifre, haste, osso) o marfim é o mais higroscópico, expandindo e contraindo de acordo com o teor de humidade presente na atmosfera. Flutuações cíclicas nos valores de Humidade Relativa resultam no aparecimento de fendas e empenamentos. É ainda muito sensível à luz e à temperatura. Tal como no osso a patine amarelada resultante do processo natural de envelhecimento do material deve sempre ser respeitada.

 

 

A haste é uma forma de osso ligeiramente modificado que cresce a partir dos ossos cranianos para o exterior, na cabeça de alguns animais. São constituías por uma camada exterior espessa de osso compacto e por uma camada interior de osso esponjoso. Os vasos sanguíneos internos são menos numerosos e mais irregulares do que no osso normal. A haste é, por isso, mais densa e mais pesada do que o osso.

 

 

O chifre é formado por queratina, a mesma proteína que é responsável pela formação do cabelo, unhas, cascos, etc. O chifre, que se assemelha a um conjunto de cabelos colados, cresce em torno de um núcleo esponjoso. Quando este é removido obtém-se um objecto oco. O chifre apresenta maior longevidade do que o osso e o marfim, porém, ao contrário do osso, marfim e haste, que só raramente são afectados por degradação microbiológica, é muitas vezes severamente danificado pela acção das larvas das traças. É ainda, dada a sua natureza, muito susceptível à delaminação. É o menos sensível de todos estes materiais as flutuações dos valores de Humidade Relativa e temperatura, porém, as laminas finas obtidas a partir de chifre podem tornar-se moles e deformar rapidamente em contacto com a água.

 

 

Os espinhos de porco-espinho são um material orgânico de origem animal constituído a partir de queratina. Estão muito sujeitos à degradação física, encontrando-se muitas vezes dobrados, encurvados e partidos em resultado de mau manuseamento. Os espinhos tingidos são um dos materiais orgânicos mais sensíveis a luz. Um dos grandes factores de degradação são as flutuações bruscas nos valores de Humidade Relativa e de temperatura. Os espinhos encontram-se frequentemente aplicados sobre um suporte que apresenta um comportamento de expansão e contracção distinto do seu, o que pode levar à destruição do artefacto. Também a biodeterioração é frequente, sendo provocada pelas larvas das traças, que podem destruir o objecto em poucos dias.

 

 

A madeira é um material orgânico de origem vegetal obtido a partir da parte lenhosa de diferentes espécies de árvores. A característica mais importante para a sua conservação é a higroscopicidade. Os processos de degradação mais frequentes encontram-se relacionados com flutuações de Humidade Relativa e de temperatura que resultam em abaulamento, na abertura de fissuras e fendas e em biodeterioração (insectos xilófagos, microrganismos, fungos e bolores). Os tratamentos de conservação e restauro mais comummente aplicados variam mas incluem com frequência a limpeza, a desinfestação, a neutralização de microrganismos, fungos e bolores, assim como a estabilização física que compreende a reintegração de lacunas, a readesão de fragmentos e a consolidação. Em etnografia a madeira foi largamente empregue na manufactura de objectos de uso quotidiano e ritual, tais como recipientes, máscaras, etc.

 

 


Os têxteis são constituídos por fibras orgânicas (de origem vegetal ou animal), inorgânicas (fios metálicos ) e sintéticas (a partir de 1885). Os objectos têxteis são muito sensíveis a qualquer tipo de deterioração. A contaminação por partículas e poluentes atmosféricos afecta seriamente algumas fibras têxteis, resultando em desintegração, alteração de cor e surgimento de manchas. Alguns fios metálicos podem ainda corroer em resultado de contaminação com poluentes atmosféricos levando à degradação de todo o tecido.
A limpeza regular dos objectos têxteis, feita por conservadores especializados é, por isso, fundamental. A sua susceptibilidade à degradação biológica (insectos) depende da distinta natureza química das diferentes fibras, porém esta é muito frequente e provoca graves alterações nos objectos têxteis, podendo levar num curto período de tempo, a sua completa desintegração. As traças representam uma ameaça muito séria aos objectos têxteis e devem ser imediatamente eliminadas através de desinfestação. O ataque microbiológico (fungos e bolores) é, também, frequente, ainda que seja menos destrutivo. As flutuações nos valores de Humidade Relativa e temperatura resultam em expansões e contracções sucessivas das fibras que afectam a sua resistência e flexibilidade. A exposição à luz leva ao progressivo enfraquecimento das fibras e ao desvanecimento dos corantes usados para as tingir.

 

 


As penas apresentam frequentemente formas de degradação química associadas às tecnologias empregues durante a sua transformação, especialmente quando as gorduras originalmente presentes não foram removidas cuidadosamente, o que origina o fenómeno conhecido como queimadura pela gordura, ou seja a rápida degradação das penas em resultado da oxidação da gordura presente. As peles das aves são finas e o seu ressequimento pode fazer com que os folículos abram e com que as penas se soltem. É ainda comum o desvanecimento das cores em resultado de exposição excessiva à luz, assim como a existência de numerosas formas de degradação física resultantes de manuseamento intensivo e desadequado.

 

 

As peles encontram-se geralmente muito afectadas pelo seu uso intenso, sendo comum encontrarem-se muito sujas em resultado da presença de pós, poeiras e manchas. São comuns várias formas de degradação física como a existência de lacunas (peladas) e de rasgões. É ainda vulgar terem sido atacadas do ponto de vista químico por poluentes atmosféricos em resultado de acondicionamento pouco cuidadoso. Surgem muitas vezes alterações cromáticas resultantes de exposição excessiva à luz (amarelecimento de peles brancas como as de arminho ou raposa branca) e encolhimento, encarquilhamento e surgimento de peladas em consequência de alterações ambientais bruscas e de valores de temperatura e humidade relativa desadequados (demasiado quente ou seco). É ainda frequente a degradação microbiológica sendo atacadas por insectos como a traça e por fungos e bolores diversos.

 

 

Diferentes tipos de peles, órgãos e tecidos internos de animais, constituídos por colagénio. São geralmente submetidos a secagem e/ou parcialmente curtidos e depois fumados. Exemplos de objectos que utilizam este tipo de materiais são, por exemplo, odres, selas, tambores, cordas de instrumentos musicais, etc. São as flutuações dos valores de Humidade Relativa e de temperatura que causam os maiores estragos nos objectos constituídos por peles, órgãos e tecidos internos por curtir ou com curtume parcial. As mudanças dimensionais resultantes das flutuações nos valores de Humidade Relativa e temperatura têm consequências particularmente graves nas peles que se encontram sobre tensão (tambores) levando ao surgimento de degradação física severa. Quando expostos a temperaturas muito elevadas é comum os objectos perderem a sua flexibilidade e tornarem-se rígidos, chegando mesmo a ficar quebradiços. É ainda frequente surgirem formas de degradação física resultantes de manuseamento desadequado. A biodeterioração sob a forma de fungos e bolores é também comum.

 

 

Chama-se couro ao material resultante do curtume de uma pele. O colagénio, proteína de que é constituída a pele, apresenta características muito especificas que permitem a obtenção deste material através do seu tratamento com substâncias que a tornam imputrescível. Existem diferentes tipos de curtume, o animal, o vegetal, o mineral e o sintético, assim como vários processos afins conhecidos como semi-curtumes e pseudo-curtumes. Cada um deles apresenta patologias distintas, no entanto, a hidrolise ácida e a oxidação são os factores principais, sendo geralmente resultantes da presença de poluentes atmosféricos, que se combinam com Humidades Relativas e temperaturas elevadas e com os efeitos da exposição à luz. O couro pode ainda sofrer ataques microbiológicos e biológicos. Os tratamentos de conservação passam geralmente pela limpeza, desacidificação, consolidação, humidificação e correcção de distorções físicas, reparo e planificação.

 

 


 

As contas podem ter origens e composições variáveis e muitas vezes pouco compatíveis entre si. Elas podem ter sido obtidas utilizando:

1. materiais orgânicos, tais como resinas naturais, âmbar, casco, osso, tartaruga, espinhos de porco-espinho, etc.;

2. materiais inorgânicos como o vidro, a faiança, etc.

3. materiais semi-sintéticos e sintéticos como os diferentes plásticos.

Cada um destes materiais sofre de formas de degradação distintas. É fundamental que o Conservador-Restaurador saiba identificá-los para poder seguir o curso de tratamento mais adequado a cada caso. Podem ainda ocorrer fenómenos de incompatibilidade entre elas e os fios em que se encontram enfiadas (é frequente o fio de nylon ou de poliéster cortar as contas) ou entre elas e o suporte ( alguns tipos de curtume afectam as contas metálicas). É ainda comum a ocorrência de estragos no interior das contas ou que a degradação do fio ou do suporte resulte no seu desprendimento. A preservação do fio original é obrigatória e por isso o Conservador-Restaurador tem muitas vezes que recorrer à montagem do objecto em vez de proceder ao seu reparo.

 

 

 

 

CONTACTE-NOS POR EMAIL E SAIBA MAIS SOBRE RESTAURO DE ETNOGRAFIA >ENVIAR EMAIL<

 

CONTACTE POR TELEFONE (+351) 22 609 40 84 OU TELEMÓVEL (+351) 933 696 026

 
 
2
 

 

EXEMPLOS
   
 
           
 
     
 
Webdesign by !NTERACTCREAT!VE © Mafalda Veleda 2007