A palavra documento procede do latim docere, que quer dizer ensinar. Um documento é, assim, a objectivação de um conhecimento sobre um suporte material. A expressão gráfico, derivada do grego grafein, significa tanto escrita como desenho. Na antiguidade distinguia-se da pintura (do latim pictura) sendo o equivalente a desenho ou di-signare, proveniente da expressão latina signum. Trata-se, assim, de um processo conceptual de configuração de uma imagem, ideia ou tema sobre uma superfície através de formas visuais. Desta forma, documentos realizados através de signos de referência visual são desenhos e aqueles elaborados através de signos estabelecidos como códigos são escrita.
A conservação e restauro de documentos gráficos é uma das especialidades mais vastas da conservação e restauro, tratando um conjunto de objectos muito variados. Estes, têm em comum o suporte (base sustentante sobre a qual se desenha ou escreve utilizando elementos sustentados, como tintas, pigmentos, etc.) que são geralmente de papel ou pergaminho e velino. O papel constitui, porém, o suporte de 99% dos objectos que se tratam neste campo, chegando-se, muitas vezes, a utilizar a expressão Conservador-Restaurador de papel para significar Conservador-Restaurador de documentos gráficos. O pergaminho e o velino e ainda mais o papiro, o couro ou o amate (suporte elaborado com casca de árvore, originário da América do Sul) constituem, nesta área, suportes de carácter residual.
A deterioração química do papel (hidrólise ácida da celulose) é o principal problema desta área, ainda mais do que formas de deterioração física evidentes à vista desarmada, como rasgões, cortes, etc. Assim, a acidez é um dos inimigos mais perniciosos do papel, já que a sua acção cáustica quebra a cadeia molecular da celulose, fazendo com que a sua força física diminua e conduzindo, muitas vezes, à completa desintegração da folha. Este problema afecta particularmente os papéis produzidos a partir do Sec. XIX, devido à sua composição.




Um livro é um conjunto de cadernos, manuscritos ou impressos, cosidos ordenadamente e formando um bloco. Sendo estruturas, os livros apresentam problemas que se prendem com a encadernação (lombada, pastas), com o suporte do miolo do livro (papel, pergaminho, etc.) e com os elementos sustentados utilizados (tintas, pigmentos, folhas metálicas, etc.).

(Mapas, cartografia, desenho e reproduções arquitectónicas, etc.)


Os seu problemas resultam essencialmente de um manuseio intensivo e de um armazenamento desadequado, mas também, em muitos casos, das suas grandes dimensões, que fazem com que sejam dobrados e vincados, apresentando com frequência numerosos cortes, rasgões, reparos desadequados, fita-cola, etc.

(Correspondência, cartas de brasão de armas, alvarás, cartas de mercês, testamentos, tombos particulares, etc.)


O texto manuscrito apresenta, para além das patologias inerentes ao suporte, muitas outras relacionadas com o emprego de tintas metaloácidas, muito particularmente as ferrogálicas. Estas, são responsáveis pela deterioração do suporte por corrosão, atingindo muitas vezes a fase da perfuração.

(Actas, jornais, periódicos, panfletos, etc.)
Os documentos impressos, geralmente mais recentes do que os manuscritos, apresentam com frequência, patologias relacionadas com a qualidade inferior dos suportes utilizados (pastas de papel obtidas a partir de madeira, encolagens ácidas de alúmen resina, etc.). A acidez inerente a estes suportes resulta na degradação da celulose. Os tratamentos mais frequentes consistem na neutralização da acidez e introdução de tampão alcalino.



Este material orgânico de origem animal obtido a partir de fibras de colagénio (proteína) não submetidas a qualquer tipo de curtume é altamente higroscópico, reagindo de forma dramática às alterações dos valores de Humidade Relativa. Assim, é comum sofrer de deformações físicas (ondulações, rasgões, etc.) resultantes de flutuações cíclicas nos valores de humidade e temperatura, que, por sua vez, levam ao destacamento dos elementos sustentados (tintas, pigmentos, etc.).


Um globo é, geralmente, uma esfera oca de papier-mâché coberta de gesso e cola de origem animal, suportada por um pilar central. Esta esfera é depois recoberta de folhas de papel gravadas com a forma de gomos, designadas como fusos, que são posteriormente impermeabilizadas utilizando encolagens à base de gelatina e, finalmente, envernizadas. Os globos são objectos problemáticos do ponto de vista da conservação e restauro devido não só à sua forma, mas, também, em resultado do seu tamanho. Um dos problemas mais comuns consiste na acumulação de sujidade sobre a camada de verniz, já que o globo se destinava não só a ser visto mas também a ser manipulado. Outro problema frequente resulta do tipo de vernizes utilizados, quase sempre obtidos a partir de resinas naturais ácidas, que são, em grande parte dos casos, muito instáveis e quimicamente reactivas.


Para o adequado tratamento de conservação e restauro de bilhetes postais é fundamental identificar o processo de ilustração empregue, pois a imagem pode ter sido obtida através de gravura, fotografia, fotogravura ou de processos de reprodução fotomecânicos. Todos estes requerem tratamentos específicos. Tal como com os selos filatélicos, a grande proximidade e sobreposição de tintas de escrita, condiciona os processos de tratamento.


Um selo filatélico é normalmente composto por várias camadas, incluindo a camada adesiva, a estrutura fibrosa da folha de papel, os acabamentos utilizados no lado impresso e a tinta de impressão. Pode ainda apresentar parte do carimbo por cima do próprio selo. Todos estes elementos condicionam os processos de tratamento de conservação e restauro a implementar. No caso do papel moeda ainda que os suportes e os elementos sustentados utilizados sejam de boa qualidade é frequentemente observável um grande desgaste físico resultante do manuseamento intensivo.


Os posters e outro tipo de ephemera (folhetos, panfletos, libretos, brochuras, etc.) raramente foram feitos com o objectivo de serem guardados. Logo, os materiais utilizados para suportes e elementos sustentados são, normalmente, frágeis, de baixo custo e de pouca qualidade sendo, por isso, quimicamente muito instáveis e reactivos. Foram ainda, pela sua própria natureza, sujeitos a um intenso manuseamento.
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